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Estudos apontam relação de imunidade entre Zika e Dengue

Foto: Divulgação

Dois estudos liderados por pesquisadores da Universidade Federal da Bahia (Ufba), divulgados em fevereiro, apontam que quem se cura da dengue tem chances de se tornar imune à zika e quem escapa da zika pode adquirir também imunidade à dengue.

Conforme a instituição, os estudos foram baseados em evidências a partir de coletas realizadas em Salvador, e os resultados foram publicados em revistas científicas internacionais.

Zika e dengue são arboviroses transmitidas pelo mosquito aedes aegypti, ambas provocadas por vírus “primos”, do tipo flavivirus.

Ambos estudos foram subsidiados por evidências coletadas no bairro do Pau da Lima, na periferia da capital baiana, foco do surto de zika registrado em 2015, e fazem parte do conjunto de pesquisas lideradas pela Ufba e pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz-BA).

Testes

Um dos artigos foi publicado na Science, sob o título “Impact of preexisting dengue immunity on Zika virus emergence in a dengue endemic region” (em tradução livre, Impacto da imunidade pré-existente à dengue na emergência do vírus zika numa região endêmica de dengue). O artigo propõe a tendência de imunização contra a zika após a dengue.

Integram o grupo internacional e multidisciplinar de autores do artigo os professores Federico Costa – que liderou a pesquisa de campo, base do estudo – e Guilherme Ribeiro, ambos do Instituto de Saúde Coletiva (ISC), e Mittermayer Reis, da Faculdade de Medicina, além dos doutorandos Nivison Nery Júnior e Daiana De Olivera.

O artigo publicado pela Science apontou que amostras de sangue de pacientes que já haviam contraído dengue, coletadas antes do surto da zika, em março de 2015, reagiram positivamente a testes que detectam a presença de anticorpos que protegem contra a zika.

Contudo, segundo o professor Federico Costa, essa imunização variou conforme a quantidade de anticorpos contra a dengue encontrados nas amostras. “Quanto mais anticorpos de dengue encontrados, menor a chance de infecção por zika”, afirmou.

O estudo traz ainda outros dois dados importantes. Primeiro, confirma incidência de aproximadamente 73% do vírus da zika nas 1.453 amostras colhidas na localidade, com uma variação de 29% a 83% do alcance da doença, a depender da área do bairro.

Ou seja, pelo levantamento, é provável que mais de 7 de cada 10 moradores do bairro tenham contraído zika no surto de 2015. E, segundo, confirma que quem se curou da zika adquiriu imunidade contra a doença.

Um ano antes, em fevereiro de 2018, o artigo “Does immunity after Zika virus infection cross-protect against dengue? ” (A imunidade após o vírus Zika protege também contra a dengue?), publicado no periódico The Lancet Global Health, havia proposto a tendência inversa, com base nas evidências de que, após o surto de zika, em 2015, houve uma queda significativa na incidência de dengue em Salvador.

O autor principal foi Guilherme Ribeiro, da UFba, e ainda o assinavam os professores Mittermayer Reis e Gúbio Soares (ISC).

O artigo havia mostrado uma significativa queda de casos de dengue após o surto de zika de 2015. Das 1.937 amostras de pacientes com febre aguda colhidas antes do surto, entre janeiro de 2009 e março de 2015, 484 (25%) eram casos de dengue. Nas 1.334 amostras colhidas após o surto, entre abril de 2015 e maio de 2017, apenas 43 (3%) eram casos de dengue.

Ainda conforme o estudo, na análise estendida a dados coletados pela Secretaria Municipal de Saúde de Salvador, em que se tem um total de 40.904 pacientes cujos testes deram positivo para dengue num período de pouco mais de 8 anos, isto é, de janeiro de 2009 a maio de 2017, verificou-se que, se a incidência da dengue era de 31% da amostra antes do surto de zika de 2015, ela caiu para 8%, após o surto.

Segundo o estudo, os dados disponíveis “sugerem que as infecções pelo vírus zika podem induzir imunização cruzada contra o vírus da dengue”, mas os pesquisadores afirmam que ainda é necessário mais estudos para comprovar definitivamente a hipótese. UFBA

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